Como não sou psicologo e nunca li um artigo ou livro a respeito, vou escrever este texto baseado apenas na minha experiência.
Este texto tem como objetivos principais demonstrar como a motivação depende mais de fatores internos que externos, assim como demonstrar as consequências da desmotivação para o profissional e para a equipe.
Vamos analisar o motivo da motivação ser muito mais um fator interno que externo.
No início da minha carreira, quando eu atuava em suporte, na manutenção de hardware, software e rede, eu programava por lazer, apenas para aprendizado e satisfação interna. Por todas empresas que passei deixei um "sisteminha" para controle de OS. Não sei se as pessoas usavam ou vão usar e, sinceramente, não estava preocupado com isso, pois o meu senso de realização, quando terminava o sistema, me deixava satisfeito. Obviamente, não tinha a pressão de um desenvolvimento profissional, o que facilitava e muito as coisas. Seguia o meu caminho, passando por algumas empresas, até que, devido a minha vontade louca de desenvolver, fui promovido em 2004.
Neste momento, passei a desenvolver profissionalmente, recebendo por isso. O salário subiu bastante, a pressão também. Nos primeiros meses, felicidade suprema. Entretanto, passada a euforia inicial, devido aos problemas que percebia, comecei a ficar desmotivado. Tinha conseguido o que queria, estava trabalhando com o que eu mais gostava, estavam me pagando para fazer o que eu fazia apenas por prazer, desde 1985; mas estava desmotivado. Meu salário subia, os benefícios aumentavam, mas a desmotivação aumentava.
Notem bem que eu não era mais um universitário que tinha resolvido estudar pela promessa de altos salários da área. Eu estava, finalmente, recebendo para fazer o que eu mais gostava: programar.
Foi então que eu parei para refletir...
Falei para mim mesmo: Cara, você está trabalhando no que sempre quis. Tem um bom salário e reconhecimento. Achou que seria muito fácil? Que não teria problemas no caminho?
Primeiro, trabalhei internamente o fato de alguns profissionais, mais experientes, tentarem me derrubar. Possuidores de muito mais conhecimento que eu, mas na minha visão, medíocres. O profissional que não tenta melhorar por mérito próprio e tenta diminuir outro profissional, para parecer "grande", é medíocre. Esse tipo de pensamento também domina os profissionais que tem medo de ensinar os menos experientes. O ataque foi tão forte que, não fosse a confiança que eu já tinha adquirido, eu teria caído. Com a certeza da mediocridade deles, foi fácil atropelar esse problema e, na verdade, hoje sou "psicopata" devido a esses caras.
Na verdade, outra consequência deste encontro me motivou noutro aspecto. Eu estava desmotivado com a manutenção dos meus sistemas. Durante a construção, eu já encontrava problemas para alterar ou acrescentar requisitos. Era difícil levantar da cama e lembrar que eu "ainda tinha que trabalhar naquele sistema".
Bem, esse foi o outro motivo do meu "psicopatismo" pela qualidade de software. Estava óbvio que a razão da minha desmotivação era a baixa qualidade do que eu estava construindo. Assim iniciei um ciclo que dura até hoje: o da melhoria contínua do meu trabalho. Na verdade, creio que essa busca pela excelência seja infinita. E esse desafio diário me motiva de uma forma surpreendente. Obviamente ainda estou distante do que considero ideal.
Hoje não busco apenas melhorar minha codificação e meu design, mas busco também uma melhor forma de desenvolver software. Há três anos, comprei o livro sobre XP do Beck, e venho "namorando" a agilidade desde então. Neste ano, assinei o manifesto ágil e virei, de fato, um entusiasta da agilidade.
Agora vamos à conclusão polêmica. A motivação é mais uma questão interna que externa. Por que?
Bem, essa frase não significa que a motivação seja apenas dependente de reflexões constantes do profissional. Acredito, que fatores externos também são importantes, mas efêmeros. O que são fatores externos? Considero, principalmente, a questão salarial, benefícios e o tipo de trabalho atual. Não inclui as condições de trabalho, como uma boa infra-estrutura, por achar isso uma obrigação e não uma tentativa motivacional por parte da empresa.
Por que considero os fatores externos efêmeros? IMHO, a pessoa recebe um aumento salarial hoje e, passados alguns meses já está insatisfeita. Isso acontece porque, normalmente, tendemos a fazer com que nosso padrão de vida acompanhe a nossa evolução salarial e, depois de certo tempo, precisamos de mais. Isso é inerente ao ser humano e chamamos de ambição. Nociva é a ambição descontrolada.
Mas precisamos diferenciar dois tipos de ambição: financeira e profissional.
Claro que devemos ter ambição financeira. O que eu quero dizer é: a ambição profissional é sólida e, assim, duradoura. Como não é possível atingir a perfeição profissional, precisamos continuar evoluindo, sempre.
Classifico a evolução profissional constante como um fator motivador sólido. Quase inabalável. Mas o que fazer quando os fatores externos atrapalham na motivação?
Conversar, negociar. Ficar calado e reduzir a qualidade do próprio trabalho é a pior saída. É o nosso nome que está em jogo. Precisamos analisar, pensar, refletir, observar mas, acima de tudo, agir. Não adianta estar insatisfeito e calado.
Portanto, na minha visão, reduzir a qualidade do trabalho devido a fatores desmotivadores externos, impacta negativamente na reputação do profissional. O melhor é sentar conversar e tentar chegar a um acordo.
Estou sempre revendo este assunto e não existem verdades absolutas neste texto. Assim, opiniões, como de costume, serão muito bem vindas.